

Luiz Marins
Conheço pessoas e mesmo empresas que têm uma enorme capacidade para
desenvolver novas idéias e projetos, mas que não conseguem transformar essas
idéias em ação. Elas ficam meses e até anos pensando, reformulando o
pensamento, aperfeiçoando o projeto, mas não conseguem transformar essas
idéias em ação e essa ação em resultados.
Conheço empresas que têm um excelente departamento de pesquisa e
desenvolvimento de novos produtos que nunca são lançados no mercado. Elas
não acreditam na própria capacidade de transformar essas idéias maravilhosas
em produtos reais no mercado.
Às vezes chego a pensar que elas têm medo do mercado e se escondem
desenvolvendo "novos produtos" num laboratório. O filósofo inglês Thomas
Hobbes em seu livro O Leviatã (1651) registrou a frase latina - Primum
vivere, deinde philosophare - Primeiro viver, depois filosofar. Essa frase
tem o mesmo sentido da famosa inscrição do barco grego - Navegar é preciso,
viver não é preciso.
O que ela quer dizer é que para viver é preciso primeiro pescar e para
pescar é preciso navegar. Assim, numa redução simplista, o que é preciso é
navegar. Se eu não navegar, não vivo, pois que não terei do que viver e o
que comer. Há ainda um velho ditado português que diz: Tenhamos a pata;
então falaremos da salsa, ou seja, primeiro vamos conseguir o pato ou o
frango, depois vamos conversar sobre o molho.
Tem gente que gasta horas discutindo o molho sem a menor perspectiva de
conseguir o frango. Não estou querendo dizer que filosofar, pensar, cismar,
questionar não seja importante. Para que caminhemos com o devido entusiasmo
é preciso que saibamos onde desejamos chegar. O que quero ressaltar, no
entanto, é que não basta o saber. É preciso agir. E agir com os pés na
realidade. Conheço pessoas e empresas com sonhos mirabolantes de sucesso.
Conheço empresas e pessoas que passaram a vida sonhando em realizar grandes
negócios, enormes projetos, grandes empresas, mas que ficaram no sonho, na
filosofia. Nunca desceram à realidade concreta do mundo real. São pessoas
maravilhosas. Empresas que têm todas as condições de crescer, mas que ficam
distantes das coisas simples e concretas que fazem, de fato, o sucesso
ocorrer. Assim, é preciso que nunca nos esqueçamos que é preciso primeiro
viver, trabalhar, conseguir os recursos para então filosofar, isto é, pensar
nas coisas menos concretas e de maior conteúdo abstrato. Vejo esposas
desesperadas ao verem seus maridos desempregados há meses e escolhendo o
emprego dos sonhos, o lugar ideal para trabalhar.
Nenhum lugar é bom demais que mereça seu trabalho. Enquanto isso falta o
pão, o leite, o feijão, o arroz e o uniforme das crianças... Primum vivere,
deinde philosophare! E você como é? E sua empresa? Faça um retrospecto de
todos os projetos e sonhos que já teve e que nunca foram realizados por
falta de uma visão mais empreendedora da vida.
Faça um bom exame de consciência e veja se você também não está discutindo o
molho antes de conseguir o frango. Pense nisso. Sucesso.



